domingo, janeiro 24, 2010
Azul .
Quando pronuncio a palavra Futuro
a primeira sílaba já pertence ao passado.
Quando pronuncio a palavra Silêncio,
destruo-o.
Quando pronuncio a palavra Nada,
crio algo que não cabe em nenhum não-ser.
Wislawa Szymborska
sábado, janeiro 16, 2010
Roxo .

Nos cimos,
onde a água esperava o momento de vir lavar
os homens,
Você viu
por um súbito rasgão da insónia
os animais miúdos comidos pelos maiores,os
maiores comidos pelos homens,os homens
roídos pela antropofagia e pelos dentes
amarelos das estrelas.
Desde então,
o seu remorso brota de cada gota-recordação do
Vanderman
e o tempo,devorando as estrelas,engorda mais
com as grandes patas fulvas atoladas em
nossos corações,
essa lama de sangue.
onde a água esperava o momento de vir lavar
os homens,
Você viu
por um súbito rasgão da insónia
os animais miúdos comidos pelos maiores,os
maiores comidos pelos homens,os homens
roídos pela antropofagia e pelos dentes
amarelos das estrelas.
Desde então,
o seu remorso brota de cada gota-recordação do
Vanderman
e o tempo,devorando as estrelas,engorda mais
com as grandes patas fulvas atoladas em
nossos corações,
essa lama de sangue.
Carlos de Oliveira
sexta-feira, janeiro 01, 2010
Roxo e Azul .

Para todos .
Peço a paz
e o silêncio
A paz dos frutos
e a música
de suas sementes
abertas ao vento
Peço a paz
e meus pulsos traçam na chuva
um rosto e um pão
Peço a paz
silenciosamente
a paz a madrugada em cada ovo aberto
aos passos leves da morte
A paz peço
a paz apenas
o repouso da luta no barro das mãos
uma língua sensível ao sabor do vinho
a paz clara
a paz quotidiana
dos actos que nos cobrem
de lama e sol
Peço a paz ...
Casimiro de Brito
domingo, dezembro 20, 2009
Azul .
Há em teus olhos , dados ao momento ,
uma tristeza de água reprimida.
Que é como o pressentimento duma próxima despedida .
Tristeza que faz lembrar dias perdidos de outono .
Com luz pálida a incidir
nas folhas mortas de sono.
Deixa que a esperança os molhe ,
os inunde de alegria .
Cada noite passa , e colhe o gosto de um novo dia .
Albano Martins
uma tristeza de água reprimida.
Que é como o pressentimento duma próxima despedida .
Tristeza que faz lembrar dias perdidos de outono .
Com luz pálida a incidir
nas folhas mortas de sono.
Deixa que a esperança os molhe ,
os inunde de alegria .
Cada noite passa , e colhe o gosto de um novo dia .
Albano Martins
sábado, dezembro 12, 2009
Roxo .
sábado, novembro 28, 2009
sábado, novembro 14, 2009
Roxo .
Sonhos
enormes como cedros
que é preciso
trazer de longe
aos ombros
para achar
no inverno da memória
este rumor
de lume:
o teu perfume,
lenha
da melancolia.
Carlos de Oliveira
enormes como cedros
que é preciso
trazer de longe
aos ombros
para achar
no inverno da memória
este rumor
de lume:
o teu perfume,
lenha
da melancolia.
Carlos de Oliveira
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